Ela pagou R$ 20 mil para crescer no Instagram. Não cresceu.

Ela pagou R$ 20 mil para crescer no Instagram. Não cresceu.

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Uma cliente com seis mil seguidores pagou R$ 20 mil a um estrategista para crescer o Instagram. Não cresceu.

Depois disso, recebeu de graça uma orientação de uma frase: repete o formato que os seus próprios números já mostram que funciona. Ela repetiu. Chegou a quinze mil seguidores.

Poucos dias depois, mandou mensagem pedindo ajuda para crescer de novo.

“Eu falei, repete o que você fez.”

Esse é o assunto do segundo episódio do 2xMais, gravado com Douglas Calixto — estrategista digital para escritórios de advocacia, e alguém que trocou um Instagram grande por um LinkedIn pequeno de propósito.

A IA não conserta o que não tem processo

A conversa abre com Douglas perguntando o que está acontecendo nessa era de inteligência artificial. A resposta não é otimista nem apocalíptica:

“Toda empresa que não tem processo tem uma grande confusão e eu falo mais: aí ela só aumenta o problema. Porque hoje todo mundo acha que vai lá abrir o ChatGPT e vai resolver o problema, só que o que acontece é o oposto. A inteligência artificial, ela potencializa o que você já tem e o que você já sabe.”

A imagem que fecha o raciocínio é seca:

“O humano, ele virou um grande revisor de arquivos. Porque os arquivos são gigantescos.”

O exemplo concreto veio de um coworking. Alguém sentado ali preenchia manualmente nome de produto, preço e imagem, um por um.

“Eu falei: gente, esse é um processo extremamente repetido, isso a IA faz tranquilaço. Mas aquela pessoa, por exemplo, não sabia.”

Não sabia. Não é que resistia — é que ninguém tinha contado.

O algoritmo não distribui, ele testa

Douglas migrou de plataforma por escolha. Tinha um Instagram com 4.800 seguidores e foi para um perfil com 100. Ao mesmo tempo, pegou um LinkedIn com zero conexões e passou de 500.

“Eu só tenho advogado nas minhas conexões. Então eu tô famoso pra pessoa certa.”

A frase que fecha o argumento não é dele, é de um amigo:

“Cara, você é o funcionário do Instagram mais mal pago que eu já vi.”

Do outro lado da mesa, a leitura de por que os advogados não aparecem:

“Normalmente o advogado que vê um advogado bem sucedido produzindo conteúdo, eles falam: esse advogado está quebrado. Porque na cabeça dele, a medida não é o terno que é o mais bonito, é o bolso que está mais cheio.”

O caso do filho e do cachorro

O melhor momento do episódio é uma história doméstica.

O filho de Douglas criou um canal de gamer. Postou vídeos jogando, saiu do zero, chegou a 50 inscritos. Aí filmou a si mesmo brincando com o cachorro — e só esse vídeo trouxe mais de dez inscritos.

A reação do menino foi imediata: “Papai, não quero mais jogar.”

Detalhe factual que Douglas faz questão de registrar: o filho brinca com o cachorro uma vez por semana, e olhe lá.

“Eu expliquei como funciona o algoritmo. Se você continuar postando sobre o cachorro, você vai virar um canal de cachorro.”

O argumento que resolveu a negociação foi outro: “E quando eu te dei o PlayStation 5?”

O menino voltou a jogar.

A sua internet, não a internet

A tese que sustenta o episódio inteiro cabe em duas frases, e a segunda corrige a primeira:

“Não dá pra dizer assim: ah, a internet tá chata. A sua internet tá chata.”

O teste que comprova isso era aplicado a cada pessoa nova que entrava na empresa: me fale sobre você mostrando o seu feed do Instagram ou do YouTube.

“E aparecia cada coisa completamente diferente. Isso prova que cada um vive um universo completamente diferente na internet.”

No caso dela, durante um período, o feed do YouTube era tomado por vídeos de elefante sentando em cima de carros. As funcionárias implicavam. O algoritmo estava só fazendo o trabalho dele.

Viralizar pode ser punição

Nem todo alcance é bem-vindo:

“Eu já tive vídeo meu que viralizou que para mim foi a maior punição que eu já tive.”

E há um caso de cliente que resolve o assunto do formato sem precisar de teoria: ela publicava vídeo longo falando, mas só consumia vídeo curto. A correção foi entrar no perfil dela, ver os reels que ela assistia, e mandar mudar o formato. Destravou.

Três coisas que o algoritmo faz

1. Ele cruza o que você consome com o que você produz. Não é misticismo: a plataforma quer conectar você com pessoas parecidas com você. Se você consome vídeo curto e publica vídeo longo, está falando com um público que não é o seu.

2. Ele testa antes de distribuir. O conteúdo é entregue primeiro a uma faixa pequena. Se sustenta atenção ali, sobe. Se não, para. Alcance baixo raramente é castigo — geralmente é resultado do teste.

3. Ele responde a repetição, não a intensidade. O caso dos R$ 20 mil não falhou por falta de investimento. Funcionou quando a pessoa repetiu o formato que os números dela já apontavam.

O que fecha

O ponto que Douglas coloca perto do fim organiza tudo que veio antes:

“Eu não sou contra a produção de conteúdo. Eu sou contra a produção de conteúdo sem intenção.”

E a pior métrica, segundo ele, é ter as pessoas mais próximas de você como audiência.

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